Diário de Campanha

Dungeons & Dragons - Forgotten Realms 3.5 - São Paulo / SP / Brasil

Aqui está e será publicado todo o meu trabalho como Dungeon Master. A campanha data do início de 2007, onde os seis meses iniciais foram necessários para a criação da estória (história) chamada “Cofre dos Deuses”, composta das crônicas:

“Casa de Prata”; com localização inicial em Lua Argêntea.
“Legiões de Tamoril”; na Cidadela de Tamoril.
“Serpente Branca”; na cidade de Águas Profundas.
“Vingança em Prata”; localizada na cidade de Luskan.

Criei apenas um esboço com fatos importantes, algumas dezenas de Personagens do Mestre e as chaves que poderiam desenvolver a aventura. Tentei tratar as crônicas como estórias relacionadas, porém não lineares, dando aos jogadores a opção de escolher qual delas fazer ou não.

Dungeon Master

6 de mai de 2012

Dica da Jogadora: "Muito ajuda quem não atrapalha"



Olá, eu fui a guerreira Zaidra da narrativa "Cofre dos Deuses" e este é o meu primeiro post aqui no blog. Gostaria de expressar minha opinião sobre alguns pontos importantes em um jogo de RPG. Começarei contando um pouco de como conheci o jogo, para depois comentar os pontos que me desagradam.

Meu primeiro contato com o RPG foi jogando GURPS. Naquela época não tínhamos o livro, apenas algumas fotocópias de fichas e de algumas regras. Adorei o jogo, pois tinha 11 anos e era o máximo poder criar histórias com personagens fantásticos e com poderes mágicos como nos desenhos animados que costumava assistir (caverna do dragão, dragon ball, cavaleiros do zodíaco, entre outros). Toda criança adora se reunir com os amigos para inventar histórias e o RPG é um campo muito fértil para isto. Com o tempo fomos aderindo a outros sistemas além do GURPS, aliás quis falar do GURPS para enfatizar o porque paramos de jogá-lo. Depois de algum tempo finalmente compramos o livro e fizemos, após muito trabalho, as fichas das personagens para uma nova aventura, porém haviam tantas regras que paramos de jogar esse sistema, ou seja, paramos de jogar assim que compramos o livro.


O mais importante no RPG, na minha opinião, é a história e suas personagens. Se as regras servirem para engessar a narrativa e tornar a história monótona, então essas regras só servem para destruir o jogo. Não estou dizendo que as regras sejam desnecessárias, elas funcionam mais como assistentes de palco que auxiliam os atores para que a peça teatral seja contada da melhor maneira possível. Mas não existe assistente de palco que consiga transformar uma péssima história em algo fantástico ou transformar atores homúnculos em seres com alma e emoção.


Muitos jogadores encaram o RPG como um jogo de competição, contra o GM e contra os outros jogadores. É aquele ator que adora desafiar o diretor e não participa ou faz de má vontade seu trabalho se sua personagem não for a principal na história. O objetivo de uma personagem não é ser o principal, mas sim saber qual é o seu papel na narrativa, qual é a sua função no drama. Neste ponto acho interessante citar duas que foram marcantes para mim.

A primeira uma personagem de "Mago: A Ascensão", esta era a principal da história. A narrativa; uma viagem ao mundo umbral a bordo de uma nave capaz de atravessar a dimensão do mundo das trevas para a umbra. Minha maga era uma "Filha do Éter" com esfera em matéria e espírito. Quem conhece um pouco sobre Mago sabe que não é possível combinar matéria e espírito no começo. Portanto, muitos jogadores jamais fariam tal "idiotice", pois sua personagem não teria PODER! A idéia de fazer uma maga com esses poderes foi justamente para compor o enredo. Essa maga compreendia o mundo da umbra como uma dimensão na qual poderia ser possível viajar com os equipamentos certos. Assim o objetivo dela era construir uma nave e um portal para explorar a tal dimensão. Neste caso, depois da personagem evoluir bastante é que ela seria capaz de tal façanha juntando assim os poderes de matéria e espírito. O "Background" de tal personagem foi escrita juntamente com o GM pensando na narrativa, portanto, personagem e narrativa nasceram juntos para compor a história.

A segunda personagem que gostei muito de jogar era uma coadjuvante, Zaidra, uma guerreira de Helm. Quando criei uma personagem "Guardiã de Helm" sabia que a maior devoção dela seria cumprir suas funções e proteger as outras personagens. Ora, se esta morresse para proteger o grupo seria uma glória verdadeira. Muitos jogadores jamais pensariam em sacrificar-se para salvar o outro, afinal de contas é uma competição. "Dane-se" o outro é a palavra de ordem desses jogadores egoístas que só ligam para a própria diversão e muitas vezes destroem a história, pois suas atitudes empobrecem a narrativa, uma vez que com tempo a história vai perdendo sentido e profundidade. As personagens são pensadas apenas em relação aos seus poderes e as regras são utilizadas para que ele seja o mais forte possível. Se vai fazer sentido não faz diferença. As regras deveriam ser usadas para dar mais coerência e organização ao jogo e não torná-lo esquizofrênico, colocando personagens absurdas e fora de contexto no cenário somente porque a combinação de poderes segundo as regras é interessante.


O que espero de um jogo é que as personagens dentro da narrativa possam se desenvolver e criar vínculos com a narrativa e com as outras personagens. Desta maneira, por ser um jogo em grupo acho muito importante que jogadores e mestre tenham respeito uns com os outros.


De maneira prática muitas vezes isso significa respeitar o turno dos jogadores (nada de ficar bufando com a "demora" ou palpitando a todo momento para o jogador terminar logo o turno), respeitar a decisão do grupo, ou seja, se o grupo decide tomar a atitude X não tome a atitude Y, se isso não for uma questão de interpretação. E o mais importante é tentar perceber se suas atitudes não estão causando discórdia entre os membros da mesa, tornando um clima que deveria ser de lazer em um clima pesado, cheio de ressentimentos e conflitos. Afinal, nada pior do que um lazer que se torna desagradável.

Como diz aquele velho ditado; "Muito ajuda quem não atrapalha". Não repita as atitudes descritas neste post, pois todas elas atrapalham tanto os outros jogadores como o mestre. Entenda: Não atrapalhando, você estará ajudando e garantindo a diversão de todos.

7 comentários:

  1. Concordei em tudo desse texto. Acho que outros jogos acabaram forçando o RPG a ser competitivo assim por parte de muitos jogadores. E é cada vez mais difícil encontrar grupos não focados 100% em regras quando na minha opinião elas só deveriam servir como guias.

    ResponderExcluir
  2. Ah... minha amada Jogadora... S2

    Bom, não é à toa que tanto a Zaidra quanto o Claude são meus personagens (de jogador) favoritos. Eles foram os únicos (do antigo grupo) que realmente interagiram com a narrativa, mudando e criando raízes na estória.
    Agora, sobre personagens e seus poderes; eu realmente gosto de fazer personas fortes, e não apenas fisicamente, gosto de criar indivíduos relevantes, de gênio forte, como por exemplo:

    Um Garou tirano "Senhor das Sombras" que abusa de sua posição na polícia, Um gênio precoce alemão "Filho do Éter" obcecado pelos seus poderes e suas invenções infantis, Uma maquiavélica vampira "Ventrue" italiana de "Sangue Azul", que consegue mesclar-se aos mortais com muita facilidade, e com seus contatos políticos/religiosos tornando-a quase intocável. Ganaron "O'Tamoril", guerreiro amaldiçoado pela imortalidade e seu pesar pela morte da amada...

    Já errei muito, mas me orgulho de dizer que: Em todos os jogos que joguei sempre tentei interagir e criar vínculos profundos na narrativa e com os outros personagens.

    ÉissoAí! Bjs e até a próxima!

    ResponderExcluir
  3. Muito bom seu texto cara senhorita, apesar de claramente ter um relativo interesse por regras, em geral as mais plausíveis, a lá Gurps, a história e desenvolvimento do caráter dos personagens sempre foi uma das minhas principais preocupações.

    De fato me deixa realmente muito triste o fato da obsessiva preocupação por se tornar sempre o mais eficiente em tudo, para não dizer 99% em ser o mais eficiente em combates. Muito se perdeu nos jogadores que ando vendo daquela diversão nas pequenas coisas, em concretizar objetivos que contribuam para a história, e não que deixe a todos ricos e ensopados de "XP".

    Bem, novamente, ótimo post, belas palavras e acredito que foi de grande contribuição para todos dividir um pouco de sua opinião. Na questão de comentários... acredito que o fator que evitou de estarem cheio foi a primeira imagem do post, que deve ter mandado muitos para o hospital com falta de oxigênio XD Até a Próxima!

    ResponderExcluir
  4. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  5. Continuamos, mas com outras figuras. Infelizmente nenhum dos antigos jogadores restaram nessa lenta e nova fase da campanha. Mesmo minha esposa (A Jogadora), não participa desse novo jogo.

    Os erros ficaram no passado, as mágoas foram superadas ou soterradas pelas areias do tempo...

    Porém, aprendi uma grande lição: Nenhuma relação resiste sem respeito e generosidade, e o grande vilão é o egoísmo que nos cega para as necessidades da manutenção saudável desses laços.

    Obrigado pela visita e até.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Este comentário foi removido pelo autor.

      Excluir
    2. Não foi minha intenção ser hostil... apenas verdadeiro em minhas palavras e com os meus sentimentos.

      Agradeço novamente pela visita e todos, antigos ou novos jogadores, são bem-vindos aqui na "Casa de Prata"

      Excluir

Pesquisar: Os Reinos Esquecidos

UDG FR