Diário de Campanha

Dungeons & Dragons - Forgotten Realms 3.5 - São Paulo / SP / Brasil

Aqui está e será publicado todo o meu trabalho como Dungeon Master. A campanha data do início de 2007, onde os seis meses iniciais foram necessários para a criação da estória (história) chamada “Cofre dos Deuses”, composta das crônicas:

“Casa de Prata”; com localização inicial em Lua Argêntea.
“Legiões de Tamoril”; na Cidadela de Tamoril.
“Serpente Branca”; na cidade de Águas Profundas.
“Vingança em Prata”; localizada na cidade de Luskan.

Criei apenas um esboço com fatos importantes, algumas dezenas de Personagens do Mestre e as chaves que poderiam desenvolver a aventura. Tentei tratar as crônicas como estórias relacionadas, porém não lineares, dando aos jogadores a opção de escolher qual delas fazer ou não.

Dungeon Master

16 de ago de 2009

Desejos

No céu azul do norte ele voa com dificuldade, o frio é o menor de seus problemas e as feridas não cicatrizadas trazem lembranças não só das ultimas semanas, mas também provocam a grande e imponente serpente a procurar pelo verdadeiro significado de estar fugindo. Que sentimento era aquele que o fez abandonar o campo de batalha, em séculos de vida nunca sentiu nada parecido.

Muitas de suas escamas negras, negras como a noite, já haviam caído e o ácido que foi sua maior arma em diversas batalhas agora feria o interior de sua própria mordida. Ele não compreendia. O grande sonho estava arruinado, seus companheiros e líder não poderiam retornar. A orbe que carrega no lugar de um dos olhos não tinha mais serventia e sabia que se usada traria sua morte. Voava há mais de três dias e finalmente chegara a sua última fortaleza, sua ultima esperança, ao sopé da montanha mais próxima à maior cidade humana no norte.

Enquanto caminhava a simples visão da entrada do covil respondeu a pergunta, imagens de centenas de rostos retorcidos das vitimas que fez surgiram em sua mente, o desespero, aquele terror, esse medo, era exatamente o que sentia. A descoberta imediatamente foi ofuscada pela luz que nascia do bosque à direita, eles o haviam encontrado, mas como, não era possível, novamente o dragão negro foi encontrado tão rápido como o raio que o atingiu.

***

As florestas verdes do norte nunca o agradaram, ele sempre preferiu as planícies mais ao sul, seu campo de batalha. O acampamento já estava pronto e a impaciência crescia a cada instante. Sentado à frente de seu escudo, que emanava uma discreta luz esverdeada, limpava sua armadura que possuía as mesmas características, simulava em seus pensamentos os golpes e estratégias que seriam usadas em combate, sentia-se como uma espada embainhada.

“Aposto que desta vez Tripa Prateada está errado!” disse uma imponente voz vinda da mata.

Ganaron com um ar de pura impaciência diz, “Tripa Prateada nunca errou, não seja tolo Bethor”. O homem chamado Bethor carregava em suas costas parte de um alce com a mesma facilidade que uma criança carregaria uma folha de papel, o animal era símbolo de seus ancestrais e havia acabado de ser morto por lobos.

“Um alce?” Ganaron completa, “Seus ancestrais não vão gostar”.
“Primeiro, foram os lobos” gentilmente Bethor coloca o alce no chão e continua sua explicação, “Segundo, estou com fome” olha para Ganaron e sorri, “Terceiro e último, vamos todos rezar antes de comer, está bem?” o ambiente é tomado por gargalhadas vindas dos dois homens, porém em pouco tempo o silêncio retorna ao acampamento.

O alce e a armadura já estavam limpos quando Ganaron perguntou, “E os lobos?” ele sabia a resposta, mas desejava ouvi-la. Após os dois ficarem se encarando por um breve instante Bethor responde, “Mortos, todos mortos” primeiramente um sorriso toma conta da face de Ganaron para em seguida contagiar Bethor. “Não conte isso a Valenthe!” finalizou Ganaron recebendo apenas um sinal afirmativo de Bethor como resposta. Ele sabia agora que não era o único a sentir-se como uma espada embainhada.

***

O grande felino observa a entrada da caverna, de cima da árvore a visão é perfeita e ela sabe que o momento chegou. Aos pés da árvore o elfo de cabelos prateados espera, as suas visões mostram que a serpente negra sucumbirá à última investida e sabe que só conseguirá se sua amiga mestiça o ajudar. Valenthe é filha de três mundos, dos homens, dos elfos, da natureza, e talvez por isso seja tão sábia. Ela já o havia avisado dos perigos da orbe conhecida como “Destino”, porém Galanodel precisa da esfera para concretizar seu sonho.

“Val?” chama Galanodel por sua amiga, obtendo apenas um rosnado vindo dos galhos acima. Após um instante observando o falcão de Valenthe pousar, insistiu na conversa, “Val!” o felino salta transformando-se em uma mulher com características elficas, “Diga feiticeiro, o que tem em mente?” responde Valenthe sabendo o motivo de ser chamada.

“A orbe precisa ser retirada” Galanodel argumenta, “não vamos arriscar, o dragão pode usá-la no momento de desespero”.

“Elfo, elfo... não se esqueça, a orbe trará destruição a quem usá-la, mas... você tem razão, podemos sofrer algum efeito colateral”, enquanto Valenthe raciocina Galanodel percebe a inquietação do falcão, “Val! chegou à hora, vá chamar Ganaron e Bethor que eu levarei a serpente para o lago oculto dentro da caverna”, Valenthe na forma de felino corre e desaparece no bosque, seu falcão voa deixando Galanodel observar a grande serpente negra rastejar para a entrada do covil.

Com movimentos circulares de seus braços e entoando palavras mágicas, Galanodel aponta seus dedos e dispara raios atingindo em cheio o grande pescoço da serpente. Galanodel sabe que ela não pode mais fugir, está exausta, muito ferida, a única coisa que lhe resta é lutar.

***

O dragão negro surge dos céus por uma fenda na grande câmara, com centenas de metros de comprimento é iluminada pelos raios de sol que atingem as costas da serpente, abaixo da abertura existe um lago maximizando o efeito da luz que adentra a caverna. Pouco antes de completar seu pouso avista seus inimigos invadindo a câmara, sabendo que este é o fim promete a si mesmo que levará alguns deles para inferno.

Imediatamente, Ganaron avança com sua pesada armadura esverdeada, sempre protegendo Bethor com o escudo. O primeiro rosnado de ódio é dado pela serpente, uma chuva ácida vinda de suas entranhas é disparada pela boca atingindo o guerreiro, tudo é absorvido pela armadura e escudo como uma esponja absorveria água, em seguida o ácido é transformado em um gás inofensivo. Ganaron corre com Bethor sempre à sua sombra, quando ambos chegam próximo ao dragão Ganaron ajoelha-se em um movimento rápido, servindo assim de plataforma para o salto de Bethor.

“Morra!, Uhahhhhhhhhhh” grita Bethor durante sua trajetória, as mãos seguram a espada como segurariam uma lança, uma lança que penetra a grossa pele. O segundo rosnado de ódio é ouvido a quilômetros, a serpente vai ao chão, em um desesperado movimento de cauda atinge Bethor que é arremessado a muitos metros de distância.

“Agora! é a nossa chance!” Galanodel grita, disparando um olhar de comando a Valenthe, que na forma de uma grande felina parte em direção ao inimigo.

Percebendo a aproximação de Valenthe, Ganaron avança com a lâmina desembainhada, ele é um protetor, possui dezenas de cicatrizes e sua especialidade é chamar os adversários para seu escudo. Com golpes certeiros, próximos ao que seria o olho esquerdo do dragão, Ganaron arranca a orbe que pouco antes de tocar o solo é interceptada. Rapidamente Valenthe retorna a sua posição inicial carregando a orbe em sua boca, Galanodel dispara um novo olhar de comando e Valenthe imediatamente deposita a esfera nas mãos do elfo.

O dragão negro levanta recuperando-se dos golpes enquanto Ganaron recua, Bethor já posicionado para desferir uma investida avança pela retaguarda da serpente. Com o escudo protegendo a dianteira Ganaron olha sobre seu ombro para certificar-se que Valenthe está a salvo, “Elfo! o que vai fazer?” grita Ganaron ao ver Galanodel empunhando a esfera. Valenthe desperta de seu transe, ao ver o que fez volta à sua forma natural e rapidamente saca sua lâmina, “Não faça isso!”. Uma luz intensa surge do interior da orbe, o olhar satisfeito de Galanodel contrasta com os olhares de decepção e desespero de seus companheiros, a câmara de centenas de metros instantaneamente é tomada pela luz. Os desejos mais profundos, destorcidos pelos poderes profanos da esfera, tornaram-se realidade naquele dia.

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