Diário de Campanha

Dungeons & Dragons - Forgotten Realms 3.5 - São Paulo / SP / Brasil

Aqui está e será publicado todo o meu trabalho como Dungeon Master. A campanha data do início de 2007, onde os seis meses iniciais foram necessários para a criação da estória (história) chamada “Cofre dos Deuses”, composta das crônicas:

“Casa de Prata”; com localização inicial em Lua Argêntea.
“Legiões de Tamoril”; na Cidadela de Tamoril.
“Serpente Branca”; na cidade de Águas Profundas.
“Vingança em Prata”; localizada na cidade de Luskan.

Criei apenas um esboço com fatos importantes, algumas dezenas de Personagens do Mestre e as chaves que poderiam desenvolver a aventura. Tentei tratar as crônicas como estórias relacionadas, porém não lineares, dando aos jogadores a opção de escolher qual delas fazer ou não.

Dungeon Master

13 de set de 2009

O Brilho do Oeste

O homem de barba farta e vestes negras caminha em direção a pequena, mas tradicional taverna. Lua Argêntea é uma das maiores cidades humanas do norte e uma das mais belas de todo o continente, beleza cercada por feras. O mercenário conhecido como Diewolves fixa seus olhos no pequeno estabelecimento chamado “Corcel Negro”, sua vitória está lá, ele está um passo à frente de sua rival e não aceitará perder esse trabalho. Um contrato que lhe trará um montante em riqueza e poder que nunca imaginou ser possível.

Na taverna Diewolves é recepcionado por uma das atendentes, é final da manhã, e poucos procuram os serviços do estabelecimento, “Olá... senhor Diewolves, co... como posso aju... dá-lo?” a bela recepcionista com seu olhar apontado para as botas do mercenário não consegue esconder o medo em sua voz.

Com a mão em uma das espadas dependuradas no lado esquerdo de seu cinturão, Diewolves deixa a jovem mais amedrontada, “Não poderia ajudar nem a si mesma!” diz levando sua outra mão ao queixo da recepcionista, seu olhar como de um lobo selvagem dilacera a vontade da pobre moça, “Vá chamar Claude, agora!” completa com um comando que mais pareceu um rosnado.

***

Uma cama confortável, há muitos meses Claude não dormia tão bem, o quarto é limpo e a comida do “Corcel Negro” é deliciosa. Seu último trabalho rendeu privilégios na tradicional taverna, o dono pagou caro pela receita de pão élfico e o restaurante que detinha o monopólio da produção nunca descobriria quem pegou “emprestado” a fórmula. “Nunca” balbucia Claude.

Alguém bate, “Bom dia Senhor Westbright, um homem o aguarda na recepção” a voz por de trás da porta acaba com a linha de raciocínio de Claude. Ao sair do quarto percebe a empregada caminhando para o final do corredor, “Volte bela senhorita” diz Claude observando o belo traseiro da jovem, “Diga-me, quem procura Claude Westbright?” o homem conhecido como “o brilho do oeste” reluz como uma jóia viva, possuía beleza e charme inigualáveis, mesmo seu físico frágil contrastava com sua postura confiante. “Fale minha estrela matutina, quem deseja falar com o brilho do oeste?” com a mão apoiada no batente Claude dispara uma piscadela, “Cuidado senhor, meu noivo não gostará de saber que meu coração bate por outro” a jovem sorri esquecendo-se do medo, “Senhor Diewolves o espera” completa. Franzindo a testa Claude demonstra que aquela resposta não era o suficiente, “Diewolves, o guia e homem de contratos” a descrição da empregada era extremamente polida e poderia ser entendida como: Diewolves, caçador e mercenário. Após agradecer a bela mensageira Claude retorna a seu quarto, “Será que a palavra nunca seria um exagero?” resmunga Westbright enquanto observa a janela com uma corda em mãos.

***

Descendo as escadas Claude percebe o nervosismo de todos presentes no salão principal, amedrontado o dono da taverna aponta Diewolves com o olhar. Claude, compreendendo o código visual do velho taverneiro, observa o homem sentado na mesa do café da manhã. Ele possuía uma aura bestial, a quantidade de pelos em seu corpo rivalizava com a de um lobo selvagem e sua armadura e armas eram negras como a noite.

“Bom dia senhor Diewolves, eu sou Claude Westbright” completa ao sentar-se à mesa “O que deseja de um humilde avaliador?”.

Diewolves sabia da fama que Claude possuía, suas informações indicavam que Westbright era capaz de calcular valores de venda para qualquer item, desde armas até obras de arte. “Justamente senhor Westbright, procuro por suas habilidades” após um gole de vinho conclui “Principalmente sua habilidade de avaliação, tenho um trabalho que o senhor não poderá recusar”.

“Não estou bem certo disso senhor” responde Claude temendo o peso das ultimas palavras de Diewolves, “O mundo é feito de escolhas, se uma pessoa pode recusar até a felicidade, por que eu não poderia recusar um simples trabalho?”. Diewolves com um sorriso nos lábios desdém “Ah! Senhor Westbright, de felicidade não entendo, mas de dinheiro sim” jogando uma algibeira em cima da mesa. O pequeno saco não estava corretamente amarrado e algumas moedas de ouro escapam, “Esse pagamento é apenas pelo seu tempo” mais um gole de vinho é dado por Diewolves, “Apenas para o senhor comparecer à reunião de meus contratantes e...”.

Claude apanha uma das moedas examinando sua autenticidade. “Apenas comparecer a uma reunião?” Claude incrédulo pergunta “Quem são seus contratantes?”.

Percebendo o interesse, Diewolves sorri novamente e enquanto come uma fruta provoca um breve momento de suspense. “Conhecerá meus contratantes na reunião”, com um semblante sério Diewolves completa “E... não se esqueça de mencionar meu nome, como seu contato claro”.

“Quando e onde?” Claude pergunta desistindo de obter informações mais concretas.

“Crepúsculo, Casa de Prata, próximo ao portão norte” Diewolves levanta e imediatamente caminha em direção a saída, “Até lá Senhor Westbright”. Ao sair da taverna Diewolves se depara com Nargaroth, a presença do elfo não era surpresa, ele sabia que sua rival estava no mesmo rastro, mas como sempre um passo atrás.

***

Nargaroth estava preparado para este momento, sabia que encontraria o rival de sua irmã. “Olá Diewolves, como está?” diz o elfo sorridente de cabelos negros e físico frágil enquanto dedilha um yarting. Diewolves ignora a saudação, continuando sua trajetória mesmo com Nargaroth em seu caminho. O elfo é obrigado a dar um passo para o lado, saindo da rota de colisão, “Até mais tarde Diewolves, tenha um bom dia”. Ao aproximar-se Diewolves com seu olhar selvagem fulmina Nargaroth que responde a ameaça com um largo sorriso.

Ao entrar no “Corcel Negro” Nargaroth identifica Claude facilmente, o homem era exatamente como sua irmã havia descrito. “Perante o brilho do norte peço sua atenção, com o peso de uma canção, escute filho da sorte!” Nargaroth recita “Oh senhor brilho do oeste, ofereça-me vinho, assim começa o caminho pelo favor do filho do leste. Tu vieste do oeste meu povo do leste, mas ambos concordam comigo, o fermentado é divino, este ou este? Vamos! embriagam amigos e assim fica selado o destino” com as duas garrafas de vinho em mãos Nargaroth espera a reação de Claude.

Westbright aplaude “Parece que sabe muito sobre a minha pessoa” com um gesto Claude autoriza Nargaroth a sentar, “Filho da sorte? Como sabe que sou devoto de Tymora?”.

Após sentar-se Nargaroth, enquanto serve o vinho, responde “Minha irmã me contou, ela sabe tudo sobre você”, percebendo o desconforto que suas palavras provocaram, completa “Mas não fique preocupado, provavelmente amanhã, após a bebedeira de hoje, não lembrarei nem metade do que ela falou”.

O salão é tomado por gargalhadas, Claude gosta da atitude do elfo “Quem é você? E quem é a sua irmã?”.

“Oh, desculpe pela falta de etiqueta, meu nome é Nargaroth discípulo de Aduf O Bêbado, minha irmã é Hannul, uma guia e exímia caçadora”

“Então, já sei o que o nobre elfo deseja” completa agradecendo com um simples gesto a caneca de vinho que lhe foi oferecida, “Hannul, sua irmã, deseja o mesmo que Diewolves, correto?”.

“Errado” diz Nargaroth em um breve momento de seriedade, “Diewolves já foi discípulo de Hannul, e certamente os dois tem muito em comum, incluindo a atitude ameaçadora e a falta de gosto por diversão. Porém Hannul é uma boa pessoa, já Diewolves não sabe o significado da palavra bondade”

“Entendo” concorda Claude, “Quando vou conhecer sua Irmã? Ela é bonita?”. Agora é Nargaroth que não consegue segurar as gargalhadas.

Por horas os dois beberam, comeram e perturbaram a vida das pobres atendentes do velho “Corcel Negro”.

***

Os dois novos amigos não perceberam o passar do tempo, o assunto não parecia terminar e a cada acontecimento lembrado uma nova conversa era iniciada. O horário do almoço já havia acabado e o salão principal do “Corcel Negro” estava vazio novamente quando a elfa conhecida por muitos como “Lua Crescente” adentrou o estabelecimento. “Boa tarde senhores, vejo que já são grandes amigos... de copo” Hannul completa notando que ambos estavam sofrendo efeitos causados pela ingestão de varias jarras de vinho, espalhadas pela mesa e chão da taverna.

“Olá Hannul minha irmã, este é Claude West...” Nargaroth é interrompido por sua irmã que com um olhar de desaprovação faz o elfo levantar da cadeira. “Desculpe senhor Westbright, mas não há tempo para formalidades, a reunião acontecerá em poucas horas e minha proposta está feita”.

“Proposta? Desculpe senhora, mas nenhuma proposta foi mencionada até agora” Claude completa “Apenas Diewolves propôs algo concreto”, com um sorriso nos lábios Claude mostra a algibeira que recebeu.

Hannul com um sorriso forçado rebate “Cuidado com Diewolves senhor Westbright, estas moedas podem lhe custar caro, muito além do que o senhor imagina” e novamente com seu semblante sério finaliza “Nos vemos na reunião e agradeço sua atenção, vamos Nargaroth”.

“Até mais Claude... tomara que escolha minha irmã, assim poderemos trabalhar juntos” Nargaroth segue sua irmã para fora do “Corcel Negro” deixando Claude com sua decisão.

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